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Exposição Lux Mirabilis

Universidade do Porto organiza exposição no Museu Nacional de Soares dos Reis

 

O projetor cinematográfico que terá pertencido a Emílio Biel assinala os 100 anos da morte deste alemão que viveu no Porto e que foi um dos precursores da fotografia em Portugal. Os seus bens foram vendidos em hasta pública em 1916 e o Laboratório de Física da Faculdade de Ciências adquiriu várias peças. Uma réplica do microscópio de Leeuwenhoek leva-nos aos primórdios da observação de bactérias (século XVII), o tubo de Lecher utiliza o fenómeno da fluorescência para determinação do comprimento das ondas hertzianas e “Cuidados de amor”, de José Malhoa, apresenta-nos, em contraluz, uma jovem minhota com uma paisagem intensamente iluminada ao fundo. Desde a luz na natureza (em minerais, seres vivos e fenómenos atmosféricos), até à luz nas crenças religiosas, mitos e superstições, passando pela evolução das fontes de luz artificial, conceções científicas e respetivas implicações tecnológicas, “Lux Mirabilis” (“Luz Maravilhosa”) reúne cerca de 170 peças que têm por foco a luz, nas suas múltiplas dimensões. Inaugura às seis e meia da tarde do próximo dia 15 de dezembro, no Museu Nacional de Soares dos Reis e, para o Diretor do Museu de Ciência, José Luís Santos, “Lux Mirabilis” é “a grande iniciativa da Universidade do Porto no âmbito do Ano Internacional da Luz”.

Vital para o dia-a-dia, a luz é transversal a uma variedade de áreas científicas. Possibilitou a comunicação planetária via Internet, revolucionou a indústria, a medicina e assumiu um papel especial em todas as tradições, culturas, religiões e filosofias. A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou este o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas na Luz. É também em 2015 que se assinalam os 100 anos da publicação, por Albert Einstein, da Teoria da Relatividade Geral. O seu impacto na compreensão do Universo foi tremendo e o que decorre da Relatividade Geral ainda vai proporcionar o desenvolvimento de tecnologias que, de momento, não conseguimos sequer imaginar. A precisão centimétrica da localização por GPS é só um vislumbre do que será possível.

Compreendemos as formas como se manifesta, sabemos como aplicar esse conhecimento em tecnologia, mas, em essência, não sabemos o que é. Em 1955, Einstein escreveu: “Cinquenta anos de pensamento não me trouxeram mais perto de responder à pergunta: O que é a Luz? Hoje todos acham que sabem a resposta, mas, na verdade, trata-se de uma ilusão pois na realidade não sabem”. Em 2003, a revista Optics & Photonics News da Optical Society of America editou um número dedicado ao tema e relativamente à pergunta “o que é a luz?” Arthur Zajonc (Physics Department, Amherst College, USA) arriscou a resposta: “hoje estamos no mesmo estado de ignorância esclarecida em que estava Albert Einstein”.

“Lux Mirabilis” nasce da vontade de fazer “uma exposição que contemplasse vertentes várias da interação da Luz com a Natureza e com o Homem”. Daí o recurso a peças provenientes do Museu de Ciência, do Museu de História Natural, do Museu da Faculdade de Engenharia e do Fundo Antigo da Universidade do Porto, da Associação Atractor, do Museu do ISEP, do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra e do Museu de Soares dos Reis. São 170 peças para ajudar a compreender o que é, afinal, a luz. Até 27 de Março de 2016. A entrada é livre.

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