Entrada Departamento Notícias Palestra: Porque arde a Floresta Portuguesa?

Palestra: Porque arde a Floresta Portuguesa?

Alexandra Leitão


25 de setembro de 2014 às 17:30

Anfiteatro -120 do Edifício FC3 da FCUP

 

Resumo:

Nesta apresentação, procura-se abordar a problemática dos fogos florestais em três vertentes.

A primeira, as mudanças socioeconómicas verificadas na sociedade portuguesa nas últimas décadas, como sejam, o êxodo rural, sistemas produtivos agrícolas menos intensivos, fim da articulação entre a terra agrícola e a mata, onde esta era pastoreada e se retiravam os matos para camas para o gado e as lenhas usadas para combustível.

A segunda vertente é referente às externalidades negativas geradas pela acumulação da biomassa combustível e a atividade agrícola em regime de semi ou total abandono, no contexto atual. Por outro lado, tendo a floresta uma função estruturante do território, não é ainda suficientemente reconhecida pela sociedade em geral como fornecedora de um conjunto importante de serviços ambientais, não refletidos pelo mercado, como sejam a proteção do solo contra a erosão, dos recursos hídricos, da biodiversidade e material genético que alberga e a fixação do carbono, que lhe conferem um estatuto universal de bem natural que é usufruído por todos. A floresta gera, assim, benefícios de que todos usufruímos e que não são remunerados (externalidades positivas). Esses benefícios mantêm-se externos na análise dos investimentos florestais. A sua cobrança torna-se inevitável (princípio do utilizador-pagador), questão que tem vindo a ser abordada com crescente frequência a nível europeu.

Por definição, o mercado é incapaz de resolver os problemas causados pelas externalidades, o que obriga à intervenção do Estado com vista à sua internalização, tal como acontece com a poluição - o princípio do poluidor pagador -.

Por fim, a terceira vertente, consistirá em fazer uma breve abordagem aos bens económicos gerados pela floresta e o seu impacto na economia nacional.

 

Biografia:

Alexandra Leitão é Professora Auxiliar na Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa – Porto, onde foi também Diretora das Licenciaturas em Economia e Gestão (2011-2013). Doutorada em Economia, com especialização em Economia do Ambiente, pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Finanças, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Formação executiva na London School of Economics. Área de investigação em Economia do Ambiente e dos Recursos Naturais, com comunicações em diversas conferências, internacionais e nacionais. Publicou em revistas científicas internacionais.

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